Presos transferidos de Formosa são ligados a facções

Numa megaoperação sigilosa realizada na manhã desta segunda-feira (17), a Secretaria de Segurança Pública do Estado de Goiás (SSP-GO) transferiu oito detentos considerados de alta periculosidade que cumpriam pena em unidades estaduais para a Penitenciária Federal de Porto Velho. Todos possuem, segundo as autoridades goianas, vínculos com facções criminosas e posição de liderança dentro dos presídios, com grande atuação em crimes em série, principalmente assassinatos. Para a transferência, que começou por volta das 6 horas no Núcleo de Custódia do Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia e terminou às 10h30 no Aeroporto Santa Genoveva, as autoridades fecharam e monitoraram o espaço aéreo da capital, como medida para evitar alguma tentativa de resgate.

A mudança de Sérgio Dantas da Silva Filho, José Constantino Júnior, Renato Pereira do Nascimento, Carlos Alberto Lopes, Natair de Morais Junior, Heully Rios dos Santos, Fernando Alves Motta e Flávio Fernandes da Silva começou a ser negociada há cerca de dois meses. Eles foram escolhidos a partir da construção de um conjunto de informações estratégicas realizada pela Agência Central de Inteligência da SSP-GO. Pesaram para incluir esses nomes no pedido de transferência o número de crimes que cometeram e o nível de periculosidade.

“Para se ter ideia, a maioria dos assassinatos em nossa capital nos últimos meses foi comandada por esses indivíduos”, disse o secretário de Segurança Pública, Irapuan da Costa Júnior.

Para impedir reações violentas de integrantes de facções às quais os presos pertencem, a megaoperação da SSP envolveu a Diretoria Geral da Administração Penitenciária (DGAP), a Agência Central de Inteligência, a Polícia Militar, a Polícia Civil, a Polícia Técnico-Científica e o Corpo de Bombeiros. De acordo com o gerente de Inteligência e Estratégia, delegado da Polícia Civil, Kleber Toledo, todos os presos que seriam transferidos – parte deles cumprindo pena no presídio de Formosa e na Penitenciária Odenir Guimarães – foram reunidos no Núcleo de Custódia. “Fizemos um planejamento bem elaborado”, destacou o superintendente de Inteligência e Estratégia, o também delegado da Polícia Civil, Danilo Fabiano Carvalho Oliveira.

FAB

Antes de embarcar num avião da Força Aérea Brasileira (FAB), os presos passaram por exame de corpo de delito no Núcleo de Custódia. Levados sob forte escolta policial militar, terrestre e aérea, para o Aeroporto Santa Genoveva, eles foram entregues a agentes penitenciários federais. Somente após a conclusão da operação, às 10h30, as autoridades falaram com os jornalistas. Conforme o superintendente de Inteligência, Danilo Fabiano, as tratativas envolveram o Tribunal de Justiça de Goiás, o Ministério Público de Goiás, o Departamento Penitenciário Nacional, vinculado ao Ministério da Justiça, a Justiça Federal e o Ministério Público Federal.

A SSP-GO pediu a transferência de 11 presos, mas um juiz federal de Porto Velho entendeu que somente 8 atendiam os critérios exigidos. Sem mencionar os nomes dos outros três presos, Kleber Toledo explicou que eles não atenderam os requisitos exigidos por lei federal para ocupação de vagas em presídios federais. Entre os requisitos está a demonstração cabal de envolvimento com facções criminosas e posição de liderança nas unidades. A preocupação agora se volta para a possibilidade de uma reação de detentos à transferência. “Estamos ajudando no monitoramento”, disse Danilo Fabiano. Já o diretor geral adjunto da DGAP, tenente coronel Agnaldo Augusto, garantiu que todas as providências foram tomadas nesse sentido. “Temos capacidade operacional para impedir movimentação em qualquer parte do Estado”.

Segurança máxima

A decisão da SSP-GO de pedir a transferência dos oito presos para a Penitenciária Federal de Rondônia visa impedir que eles continuem ordenando crimes de dentro dos presídios goianos e cooptando outros detentos. Localizada na BR-364, a 45 quilômetros da zona urbana da capital, Porto Velho, a penitenciária é uma das quatro de segurança máxima sob a responsabilidade do Ministério da Justiça. As outras estão localizadas em Campo Grande (MS), Mossoró (RN) e Catanduvas (PR). Ao chegar, o preso passa por uma triagem e durante 20 dias não tem contato com nenhum outro detento. Ele também passa por uma entrevista para definir seu perfil e histórico criminal.

Os presos ocupam celas individuais, têm duas horas para banho de sol e podem receber visitais duas vezes por semana, mas as conversas são através de uma parede de vidro e por telefone. É impossível o uso de aparelhos celulares na unidade. Câmeras de segurança monitoram o presídio 24 horas, com imagens transmitidas em tempo real para Brasília. A Penitenciária Federal de Porto Velho tem capacidade para pouco mais de 200 presos.

Plano de explodir presídio para resgate

Ao final da entrevista coletiva o titular da SSP-GO, Irapuan Costa Júnior, cumprimentou os responsáveis pela Agência Central de Inteligência pelo trabalho desenvolvido. Já no meio das negociações para a transferência dos presos faccionados, a Polícia Militar do Distrito Federal, após comunicação da Inteligência goiana, prendeu no dia 17 de agosto, cinco pessoas na região administrativa de Samambaia portando forte armamento. Alguns dos integrantes do grupo, formado por três homens e duas mulheres, já tinham cumprido pena nos presídios estaduais de Anápolis e Formosa. Uma criança de 2 anos que estava na companhia dos detidos foi entregue ao Conselho Tutelar da região.

O grupo, que ocupava dois veículos, um deles uma caminhonete blindada, seguia pela BR-060, sentido Goiânia-Brasília e, ao perceber que estava sendo seguido, tentou escapar pelo distrito de Samambaia, onde foi cercado. Na caminhonete foram localizados dez fuzis e dez pistolas, carregadores, um grande volume de munição, 70 bananas de dinamite, serra elétrica, luvas e coletes à prova de bala.

As investigações mostraram que as cinco pessoas tinham a intenção de explodir o Presídio Estadual de Formosa para resgatar presos, entre eles Renato Pereira do Nascimento, Heully Rios, Fernando Alves Motta e Sérgio Dantas da Silva Filho, conhecido como Sérgio Calcinha, quatro dos que foram transferidos nesta segunda-feira para Rondônia. A prisão dos suspeitos levou à DGAP a fazer remoções no dia seguinte.

Natair de Morais Junior, um dos transferidos para a penitenciária de segurança máxima de Porto Velho, é apontado como preso de altíssima periculosidade. Ele cumpriu pena no Presídio Estadual de Anápolis e depois transferido para Formosa. Natair teria encomendado as mortes, dentro do presídio, de Ítalo Leandro Rodrigues de Medeiros e Wanderson Rithiele Assis Santana, que seriam os responsáveis pelos assassinatos do vigilante temporário penitenciário Eduardo Barbosa dos Santos e do agente penitenciário Ednaldo Monteiro ocorridos no dia 2 de janeiro em Anápolis. Os crimes estão sob investigação da Delegacia de Estadual de Investigações Criminais (Deic).

foto: O Popular

 

 

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