MP apura uso de dinheiro público para pagar material de campanha política, em Formosa

O Ministério Público fez uma operação nesta terça-feira (25) para investigar o desvio de dinheiro da Prefeitura de Formosa, no Entorno do Distrito Federal, para ser usado no pagamento de materiais de campanha de um candidato a deputado estadual. Segundo as investigações, o valor gasto pelo município em seis meses durante o período eleitoral foi maior do que os quatro anos anteriores juntos.

A ação foi batizada de Robespierre e começou após o Ministério Público verificar o rápido aumento nos gastos públicos com materiais publicitários. No segundo semestre de 2018, o custo foi de R$ 761 mil. De 2014 ao início de 2018, somados, os valores são de cerca de R$ 500 mil.

Segundo o promotor Douglas Chegury, o ex-secretário de Finanças do município, Luís Gustavo Nunes, se candidatou a deputado estadual e mandou imprimir o seu material de campanha usando o contrato de prestação de serviços da prefeitura com a gráfica Criativa Comunicação Visual.

Alex Moreira, dono da gráfica, informou que estava em viagem e até as 12h não tinha informações sobre a operação. “Não sei ainda do que se trata, mas me disseram que eles foram até a minha loja. Não fizemos nenhum material de campanha para deputado ano passado”, disse.

O ex-secretário, Luís Gustavo Nunes, afirmou que “quanto aos valores informados pelo Ministério Público com despesas de comunicação e publicidade gastos pela prefeitura de Formosa no de 2018 e os 4 anos anteriores estão completamente equivocados (vide portal da transparência do TCM)”.

A nota diz ainda que “em relação as contas de campanha do candidato derrotado Guto Araujo em 2018, foram devidamente apresentadas e aprovadas pelo Tribunal Regional Eleitoral de Goiás. Dessa forma, aguarda com serenidade os devidos esclarecimentos dos fatos”.

“Algumas testemunhas disseram que, mesmo afastado durante o período eleitoral, o ex-secretário pedia para que servidores fizessem materiais de campanha e enviassem para a gráfica que tinha contrato com a prefeitura. Temos emails que provam os envios desses materiais”, disse o promotor Douglas Chegury.

Ele explicou que, com isso, todo o custo de produção dos materiais ficava para a prefeitura. “Na prestação de contas da campanha política do candidato, inclusive, não tem registro de produção de material gráfico”, completou.

Durante a operação, o MP cumpriu mandados de busca e apreensão na gráfica investigada. Foram recolhidos documentos que serão analisados pelos promotores. O objetivo é buscar novas provas que reforcem os crimes.

O Ministério Público ainda vai marcar uma data para que os investigados prestem depoimento. Também será investigado se houve conivência da Prefeitura de Formosa no caso. A reportagem tentou contato às 12h por telefone e email com a administração municipal, mas não obteve resposta até a publicação dessa reportagem.

Os investigados vão responder por improbidade administrativa, peculato, que é o desvio de dinheiro público, falsidade ideológica e organização criminosa.

Fonte: G1

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