Papa acolhe pedido de renúncia de bispo acusado de desviar R$ 2 milhões em dízimos da Diocese de Formosa

O Papa Francisco acolheu, nesta quarta-feira (12), o pedido de renúncia de Dom José Ronaldo, acusado de desviar, junto com outros cinco padres, R$ 2 milhões em dízimos da Diocese de Formosa, no Entorno do Distrito Federal. O anúncio foi publicado pelo Vaticano e divulgado pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) na semana em que ocorreu a primeira audiência de instrução do julgamento dos religiosos.

“O Santo Padre Francisco aceitou a renúncia do governo pastoral da diocese de Formosa (Brasil) apresentada por S.E. Dom José Ronaldo Ribeiro e nomeia administrador apostólico de Formosa S.E. Dom Paulo Mendes Peixoto, Arcebispo Metropolitano de Uberaba”, informa o comunicado.

G1 tentou contato por telefone com a defesa de Dom José Ronaldo, às 8h30 desta quarta-feira, mas as ligações não foram atendidas até a publicação desta reportagem.

O anúncio foi publicado na madrugada desta quarta-feira, no Bollettino Sala Stampa Della Santa Sede, uma espécie de “diário oficial” do Vaticano.

O comunicado nomeia como bispo responsável pela Diocese de Formosa Dom Paulo Mendes Peixoto, arcebispo Metropolitano de Uberaba, que já havia sido nomeado interventor, depois que o bispo foi preso no último dia 19 de março, durante a Operação Caifás, deflagrada pelo Ministério Público Estadual de Goiás (MP-GO).

A CNBB destacou a trajetória de Dom José Ronaldo, apresentando uma biografia do religoso.

“Dom José Ronaldo […] estudou Filosofia e Teologia no Seminário Maior Nossa Senhora de Fátima, em Brasília. Foi ordenado presbítero em 1985, também em Brasília. Tomou posse como pároco da Paróquia Nossa Senhora da Imaculada Conceição, em Sobradinho. Por lá desempenhou várias iniciativas e realizações. Foi nomeado bispo de Janaúba em 2007. Recebeu a ordenação episcopal e tomou para si o lema : “In corde legem meam” – Minha lei no coração [Jr. 31, 31-34]. Sua posse na diocese se deu em 2007. Em setembro de 2014, Dom José Ronaldo foi nomeado bispo de Formosa. Tomou posse na diocese no dia 22 de novembro do mesmo ano”, afirma o comunicado.

Primeira audiência

A primeira audiência de instrução do processo aconteceu na segunda-feira (10). As duas testemunhas que foram ouvidas relataram que houve um significativo aumento nos gastos por parte do bispo da cidade, José Ronaldo. Além disso, relataram ameaças feitas por um padre que estava investigando as irregularidades. Ainda é preciso ouvir mais de 30 testemunhas, além dos 11 denunciados.

Como ainda faltam ouvir mais de 40 pessoas, duas novas audiências foram marcadas, uma para o dia 13 de setembro e outra para 11 de outubro. Porém, o Ministério Público acredita que as audiências só terminem em dezembro.

A sessão começou às 8h45 e durou até as 17h. As testemunhas ouvidas, dois padres de Formosa, explicaram como funciona a administração da igreja, a gestão dos recursos financeiros e também as regras do Direito Canônico.

A primeira testemunha, o padre João Manoel Lopes, falou durante 4h30. Ele disse que, em 2015, com a chegada do bispo José Ronaldo, os gastos com a casa paroquial passaram de R$ 3 mil a R$ 5 mil para R$ 30 mil. Além disso, houve mudança nas destinações do dinheiro arrecadado pelas paróquias.

“O dinheiro da crisma, que deveria ser repassado à diocese, era usado diretamente pelo bispo. Questionamos e nos foi informado que era para gastos em áreas sociais mas nunca foi prestado nenhuma conta sobre isso”, contou.

Ele disse ainda que várias outras pessoas moravam na casa destinada apenas ao bispo, contrariando os costumes da igreja. Os moradores eram conhecidos como “filhos do bispo”, jovens que ele auxiliava desde quando atuava em outras cidades.

A defesa alega que o aumento de gastos era devido a esse trabalho social de acolhimento que o bispo fazia dentro da casa diocesana.

Além disso, houve mudança no repasse de dinheiro para a Cúria Diocesana, comandada pelo bipo. O dinheiro da crisma, que deveria ser repassado à diocese, era usado diretamente pelo bispo. Questionamos e nos foi informado que era para gastos em áreas sociais mas nunca foi prestado nenhuma conta sobre isso”, explicou a testemunha.

Com isso, muitos fiéis e até padres começaram a mostrar insatisfação com a gestão, questionando principalmente os gastos elevados. Postagens em rede social começaram a circular e gerar polêmica nas paróquias.

Segundo o padre, a diocese começou a ter muitas dívidas, até mesmo pelo fato de paróquias evitarem fazer os repasses obrigatórios à Cúria por não concordar com a gestão do bispo.

Para fazer uma apuração, foi convocado o juiz eclesiástico padre Tiago Wenceslau. Junto com outros denunciados, ele elaborou um relatório em quatro dias analisando as contas da diocese. Nesse documento ele afirma que não encontrou qualquer irregularidade nas prestações de conta e uso do dinheiro pela diocese.

O Ministério Público explicou que o depoimento do padre Jarbas Gomes, segundo a ser ouvido, reforçou o que foi dito pelo colega anteriormente. “Além dos altos gastos, ele disse que as ações sociais que o bispo alega fazer, inclusive de acolhimento em sua casa, deveriam ter uma prestação de contas detalhadas, o que não foi feito. Também conta que se sentiu ameaçado quando o juiz eclesiástico, em uma reunião, cobrou explicações dos religiosos sobre as denúncias feitas”, explicou o promotor Douglas Chegury.

Fonte: G1

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